821: Enxame da Colmeia (M44)

Créditos de imagem: NASA / M44

A chegada da primavera no Hemisfério Norte faz brotar flores frescas e coloridas, embelezando os jardins. Ouve-se o zumbido das abelhas a saírem das colmeias, o que nos faz lembrar que o enxame da Colmeia está visível no céu. Este enxame é um aglomerado estelar aberto, já contido no catálogo Messier, conhecido por M44 e também por Presépio, Manjedoura, NGC 2632, ou Cr 189. Este enxame de estrelas jovens fica a cerca de 600 anos-luz de distância e é um dos enxames de estrelas mais próximos do nosso sistema solar. O enxame da Colmeia tem apenas algumas centenas de milhões de anos de idade, ou seja é muito mais jovem de que o nosso Sol, e ocupa no céu uma largura de 1° a 1,5°, o equivalente à largura do dedo indicador com o braço estendido para o céu.

O enxame da Colmeia é visível a olho nu, aparecendo como uma pequena mancha difusa. O melhor momento para observá-lo será num céu escuro sem luar (por exemplo agora a melhor ocasião será na última semana de Março) e de preferência com a ajuda de binóculos ou de telescópio. Permanecerá visível até finais de maio. Este enxame aparece logo visível na primeira metade da noite e encontra-se na constelação do caranguejo.

Para o encontrar olhe para o lado sul e identifique a estrela mais brilhante do céu que é a estrela Sírio da constelação do cão maior. Depois siga para cima e ligeiramente para a esquerda, em direcção de uma outra das estrelas mais brilhantes do céu, que é Prócion. Mais acima e mais ou menos à mesma distância tem a estrela Pólux. A Colmeia fica a um par de larguras de dedos para a esquerda (veja a sua localização na imagem abaixo).

Fig. 1 – Céu visível às 20:00 horas do dia 22 de Março em Lisboa mostrando a Colmeia (M44), o triângulo de inverno, o hexágono do inverno e o planeta Marte.

Aconselhamos também a identificar o Hexágono do Inverno. Este Hexágono do Inverno é um asterismo com o formato de um hexágono, formado pelas estrelas Rígel, Aldebarã, Capela, Pólux, Prócion e Sírio. Este asterismo ainda é visível no céu até à terceira semana de Abril, por isso não o perca!

No interior deste asterismo existe ainda um outro asterismo bem conhecido, que é o triângulo de Inverno. Consiste num triângulo aproximadamente equilátero composto por três das estrelas mais brilhantes do céu de inverno: Sírio, Betelgeuse e Prócion, que pertencem às três constelações de Cão Maior, Orionte e Cão Menor, respectivamente.



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813: Equinócio da Primavera 2019

Em 2019 o Equinócio da Primavera ocorre no dia 20 de Março às 21:58 horas[1]. Este instante marca o início da Primavera no Hemisfério Norte. Esta estação prolonga-se por 92,789 dias até ao próximo Solstício que ocorre no dia 21 de Junho às 16:54 horas. Os instantes estão referenciados à hora legal.

Os equinócios ocorrem duas vezes por ano, na primavera e no outono, nas datas em que o dia e a noite têm igual duração[2]. A partir daqui até ao início do outono, o comprimento do dia começa a ser cada vez maior e as noites mais curtas, devido ao Sol percorrer um arco mais longo e mais alto no céu todos os dias, atingindo uma altura máxima no início do Solstício de Verão. É exactamente o oposto no Hemisfério Sul, onde o dia 20 de Março marca o início do Equinócio de Outono.

O eixo de rotação da Terra está inclinado em relação ao plano da translação. Isto implica que ao longo do ano, à medida que a Terra avança na sua trajectória à volta do Sol, o ângulo de incidência dos raios solares vai variando e é também diferente em cada latitude da Terra. Em consequência, no Hemisfério Norte é no Verão que o Sol está mais tempo acima do horizonte, atingindo uma altura maior no céu e proporcionando dias mais longos e temperaturas mais altas. Inversamente, é no Inverno que o Sol permanece por menos tempo acima do horizonte, possibilitando dias mais curtos e temperaturas mais baixas. Nos equinócios, a Terra atinge um ponto da sua órbita no qual a incidência dos raios solares é igual em todas as latitudes. Ou, visto do referencial da Terra, o equinócio é definido como o instante em que o Sol, no seu movimento anual aparente, passa no equador celeste. A palavra de origem latina aequinoctium agrega o nominativo aequus (igual) com o substantivo noctium, genitivo plural de nox (noite). Assim significa “noite igual” (ao dia), pois nestas datas dia e noite têm igual duração, ou pelo menos tal é a ideia que permeia a sociedade, que como explicamos em seguida não é totalmente exacta.

[1] . Explicação sobre o equinócio ser no dia 20

Muitas pessoas associam o início da Primavera ao dia 21 de Março e lembram-se que durante o século XX o equinócio ocorria por vezes no dia 21 e por vezes no dia 20. No entanto desde 2008 que se tem mantido sempre no dia 20 de Março.

Isto explica-se devido ao período de translação da Terra não ser de exactamente 1 ano (365 dias) mas de 365 dias, 5 horas, 48 minutos e 48 segundos. Assim, num dado ano, a Terra atinge o ponto orbital correspondente ao equinócio cerca de 5h49′ mais tarde do que no ano anterior, ocorrendo o equinócio cada vez mais tarde. Ao fim de 4 anos, a diferença acumulada seria já de quase 1 dia (23h16′ em média). No entanto a aplicação da correcção do ano bissexto ao fim de 4 anos faz com que a data recue 1 dia. Assim, ao fim de um ciclo de 4 anos, a data do equinócio atrasa cerca de 44 minutos. Isto significa que ao fim de cerca de 30 ciclos de 4 anos a data recua 1 dia completo. Foi isto que aconteceu nas últimas décadas, em que a data ia oscilando entre os dias 21 e 20 até que em 2008 se fixou no dia 20, indo manter-se neste dia até 2044. (Note-se que estamos a considerar UTC, já que a data também depende do fuso horário). A partir de 2044 vai começar a oscilar entre os dias 20 e 19. No entanto este efeito não vai continuar para sempre, com as datas a recuarem cada vez mais. Isto porque o ano 2100 não vai ser bissexto, permitindo ter uma sequência de 7 anos não bissextos. Isto é suficiente para que a data não recue mais e a oscilação entre 20 e 19 passe a uma oscilação entre 21 e 20 logo a partir de 2100. Assim, com estas 2 correcções de ano bissexto, consegue-se manter o equinócio confinado aos dias 19, 20 e 21 de Março.

[2]. Explicação sobre a suposta igual duração do dia e da noite no equinócio da Primavera

Os equinócios estão definidos como o instante em que o ponto central do Sol passa no equador e, por isso, efectivamente o centro solar nasce no ponto cardeal Este e põe-se exactamente a Oeste. Assim, entre o instante da manhã em que o Sol está a uma distância zenital de 90º e o instante da tarde em que se encontra novamente a uma distância zenital de 90º passam-se 12 horas. (Note-se que como a Terra avança na sua órbita ao longo do dia, o Sol não se mantém no equinócio todo o dia e isso leva a uma pequena alteração deste intervalo de tempo. Por exemplo este ano, como o instante do equinócio ocorre depois do ocaso do Sol, a duração deste intervalo de tempo é superior às 12 horas, sendo de 12h08min).

Contudo, mesmo que este intervalo fosse de 12 horas, este facto não resultaria numa duração do dia solar de 12 horas pois o Sol não é um ponto, tem um diâmetro. Sabemos que o diâmetro aparente do Sol é de 32′ (minutos de arco). Além disso a refracção atmosférica faz com que quando vemos o bordo superior no horizonte, o Sol se encontra cerca de 50′ abaixo do horizonte (ou seja mais abaixo do que os 32′ em que estaria se não houvesse refracção). A luz directa no chão surge quando o bordo superior do Sol nasce (estando o Sol a uma distância zenital de 90º50′) e, no ocaso, a luz directa desaparece quando o bordo superior toca o horizonte (estando o Sol a uma distância zenital de 90º50′). Assim, estes 100 minutos de arco extra (50′ x 2) produzem 7 minutos a mais de luz solar directa. Por esta razão, no equinócio a duração do dia é cerca de 7 minutos maior do que a duração da noite. Para a duração da noite e do dia serem efectivamente iguais é necessário que o Sol tenha uma declinação um pouco menor. Isso acontecerá uns dias mais cedo, no dia 17 de Março de 2019, em que haverá muito perto de 12 horas de luz solar directa no solo. Nesse dia o disco solar nasce às 06:45:23 horas e põe-se às 18:45:11 horas (em Lisboa), diferindo a duração do dia e da noite em apenas 12 segundos.


OAL – Observatório Astronómico de Lisboa
15 Mar 2019



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369: Sessão lunar 20.Mar.2018

20032018@19:00: Finalmente, um céu quase limpo, sem nuvens, talvez a saudar o início da Primavera, depois de dias nublados, chuvosos, ventosos, temporais de arrasar tudo à sua frente. Veremos por quanto tempo será esta acalmia. Nos entretantos, não podia deixar “fugir” a Lua que já se encontra a 12% e esta excelente oportunidade de sacar mais uns bonecos.








Imagens acima obtidas com:

  • Câmara Canon EOS 760D
  • Disparador remoto Canon RS-60E3
  • Telescópio Skywatcher Mak ∅127/1500mm com contrapeso Baader de 1 kg
  • Montagem Equatorial SW EQ3-2
  • Ocular Kson 4mm Super Ortho ∅1,25″ em projecção fotográfica
  • Ocular GSO CPL 42mm ∅2″ em projecção fotográfica com extensor variável
  • Diagonal dieléctrica GSO 90º  2″
  • Filtro planetário #8
  • Filtro Explore Scientific ND-0.9 1,25″
  • Tubos extensores
  • Adaptadores diversos
  • Buscador Skywatcher 9×50 com retícula iluminada





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345: Equinócio da Primavera 2018

Em 2018 o Equinócio da Primavera ocorre no dia 20 de Março às 16h15min. Este instante marca o início da Primavera no Hemisfério Norte. Esta estação prolonga-se por 92,79 dias até ao próximo Solstício que ocorre no dia 21 de Junho às 11h07min. Os instantes estão referenciados à hora legal.

Equinócio: instante em que o Sol, no seu movimento anual aparente, passa no equador celeste. A palavra de origem latina aequinoctium agrega o nominativo aequus (igual) com o substantivo noctium, genitivo plural de nox (noite). Assim significa “noite igual” (ao dia), pois nestas datas dia e noite têm igual duração, tal é a ideia que permeia a sociedade.

Vai-te ao longo da costa discorrendo,
e outra terra acharás de mais verdade,
lá quase junto donde o Sol ardendo
iguala o dia e noite em quantidade.
Ali tua frota alegre recebendo,
Um Rei, com muitas obras de amizade,
Gasalhado seguro te daria
E, pera a Índia, certa e sábia guia.”

Sussurrava o deus Mercúrio em sonhos a Vasco da Gama: que fugisse de Mombaça e se acercasse de Melinde, mais norte e próxima do equador onde o dia iguala a noite, guiando-o prá Índia. Lusíadas, canto II, estância 63.

OAL-Observatório Astronómico de Lisboa
2 Mar 2018


 
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