1487: Telescópios. Vamos descobrir o Universo nestas noites de verão?

– Não sendo um astrónomo “especialista”, até porque vivendo em plena Lisboa, com forte poluição luminosa proveniente dos candeeiros públicos, além da poluição atmosférica, não tenho a veleidade de ensinar astronomia a quem quer que seja. Pelos poucos anos que já possuo na astro-fotografia lunar (não dá para mais) e com os meus três telescópios – um refractor Bresser, um reflector newtoniano Bresser e um catadióptrico Maksutov-Cassegrain SkyWatcher, lá me vou entretendo nas noites em que o céu (e as fases lunares) permitem, utilizando também a minha Nikon B500 com uma equivalência de 900mm ao formato 35mm. Ao ler o artigo que a seguir insiro, reparei nalguns erros que também podem levar em erro quem desconhece, por completo, este hobby dos telescópios. As minhas rectificações serão anotadas em destaque para se saber que as anotações são de minha autoria. Mas vamos ao artigo do Ricardo Simões Ferreira.

É esta a proposta que lhe fazemos: liberte a curiosidade que há em si. Com um pouco de investimento — e algum tempo — veja com os seus olhos quão fascinante e grandioso é o cosmos em que vivemos.

A nossa galáxia, a Via Láctea, vista do hemisfério Norte.
© James Marvin Phelps/Flikr/CC

As estrelas sempre exerceram um fascínio irresistível sobre o ser humano, que é transversal a todas as culturas. Desde que olhámos para o céu que pensamos “o que está lá em cima?”

Sabemos à partida que é impossível reproduzir “em casa”, por muito bom que seja o equipamento, as incríveis imagens do telescópio espacial Hubble, acessíveis em qualquer lugar, no smartphone. Mas nada é capaz de substituir a magia de ver, pelos seus olhos, num telescópio, os anéis de Saturno, numa noite de verão estrelada. Experimente!

Há no mercado telescópios praticamente para todos os preços e experiências, desde as dos astrónomos mais experimentados às dos que, literalmente, “não percebem nada disto”.

Comecemos pelo princípio. O elemento mais importante de um telescópio é a abertura: o diâmetro da lente ou espelho que recolhe a luz do que está a ser focado. Por norma, este valor é indicado em milímetros e o mínimo considerado aceitável é 70mm ou preferencialmente mais.

Lembre-se, ao observar o céu está a tentar ver a luz de objetos a minutos, horas ou mesmo anos-luz de distância, luz essa muito ténue. O que é relevante na lente do telescópio é a sua capacidade de captar essa pouca luz o mais possível para que consiga vê-la. Esqueça a ideia de lentes “zoom” de x ampliações, que neste caso pouco interessam.

– Com as lentes fotográficas zoom ou as tele-objectivas, também se podem fazer boas imagens embora sem a mesma capacidade de um telescópio. Tenho várias teles (500mm, 1000mm, 1300mm e 2600mm) que me dão excelentes imagens lunares. E a minha Nikon B500 com um zoom digital que equivale a uma tele de 900mm, tira imagens de excelente definição. Já referi que planetas, no espaço em que resido, nem pensar!

O segundo factor importante nem tem a ver com o telescópio — é mesmo a base.

Não adianta ter o melhor telescópio do mundo se este estiver mal suportado. Qualquer pequena vibração impede uma boa observação. Um simples tripé de fotografia pode não ser a melhor solução. Ao investir num aparelho deste género, não “corte” nesta parte. Provavelmente será o suficiente para dar cabo de toda a experiência.

– À “base” de um telescópio, seja ele de que categoria for, chama-se de montagem que pode ser equatorial ou azimutal e que no fundo é mais que um tripé robusto que suporte não só o telescópio e seus acessórios, como dá a estabilidade necessária para a observação. Nunca um tripé utilizado em fotografia, mesmo topo de gama xpto, servirá para montar um telescópio.

Os telescópios dividem-se em três tipos: refractor, reflector, e catadióptrico.

O primeiro é o mais próximo do imaginário popular — só tem uma lente na frente do tubo e é também conhecido como telescópio de Newton. O segundo utiliza um espelho na parte de trás do tubo para aumentar a ampliação — tem a desvantagem de ser um pouco mais frágil. O terceiro usa uma combinação de lentes e espelhos, o que obriga a um design mais compacto — mas arrisca precisar de manutenção periódica.

– O telescópio refractor não é chamado de Newton. Este tipo de telescópio é atribuído ao físico e astrónomo Galileu Galilei. Possui duas lentes do tipo convergente. O funcionamento do aparelho pode ser explicado ao se analisar o comportamento da luz ao passar por essas lentes. A primeira lente que a luz encontra é a Objectiva, que ao receber os raios luminosos forma uma imagem real e invertida em um de seus focos. A segunda lente é a ocular que utiliza como seu objecto a imagem da lente objectiva. A ocular tem como finalidade aumentar a imagem formada pela primeira lente, de maneira que o observador possa visualizá-la. A imagem formada pela lente ocular, vista pelo operador do telescópio, será do tipo virtual e invertida. Os telescópios newtonianos ou de Newton são os reflectores. Um telescópio reflector é um telescópio óptico que usa uma combinação de espelhos curvos e planos para reflectir a luz e formar uma imagem. Os telescópios reflectores podem assumir diversos formatos, destinados a corrigir determinados erros ou diminuir algumas interferências e, por usarem conjuntos de espelhos, também podem ser chamados de catóptricos. As funções que são desempenhadas por um telescópio reflector, como a necessidade de fotografar objectos a distâncias infinitas, visualizá-los em diferentes comprimentos de onda de luz, juntamente com a necessidade de ver a imagem que o espelho primário produz, mostram que sempre há algum comprometimento no design óptico dele, dessa forma, não é capaz de produzir imagens perfeitas. Utilizando-se de dois espelhos, em que o espelho primário focaliza a luz num ponto comum em frente à sua própria superfície reflectora, o espelho secundário é projectado numa posição próxima a esse ponto focal, obstruindo, de forma parcial, a luz de alcançar o espelho primário. Isso causa uma redução na quantidade de luz que o sistema colecta, bem como uma perda de contraste na imagem devido aos efeitos de difracção da obstrução. Foi concebido por Isaac Newton no século XVII, como alternativa aos telescópios refractares, que causavam muitas aberrações cromáticas. Embora os reflectores ainda causem outros tipo de alterações (aberrações esféricas), permitem objectivas de diâmetros muito maiores e, hoje em dia, são os mais utilizados na pesquisa astronómica e na astronomia. Em ordem aos telescópios catadióptricos e por estes serem totalmente fechados, não existindo entrada de poeiras no tubo que sujem os espelhos, a sua manutenção é muito inferior ou quase nula em ordem aos refractores que são tubos abertos e que necessitam de constantes colimações para corrigir os dois espelhos (primário e secundário), além de serem mais compactos e fáceis de transportar.

As sugestões de aparelhos que se seguem prometem boas observações, desde que as condições atmosféricas o permitam. Quem o diz é o site especializado Space.com (que consultámos, tendo em conta a especificidade desta matéria).

Uma última nota: as cidades sofrem daquilo a que os astrónomos chamam de “poluição luminosa”, isto é, a luz artificial das ruas e das casas reflectida para o céu impossibilita a observação das estrelas. Por isso, pegue no seu telescópio e vá para um sítio longe da civilização. De gente. E mergulhe nas estrelas.

E depois vem uma série de PUB a marcas e modelos de telescópios que não vou aqui inserir mas que pode ser consultado no link que referencia este artigo.

Diário de Notícias
Ricardo Simões Ferreira
19 Julho 2021 — 07:00

Os meus telescópios já são conhecidos por quem passa por este Blogue e utilizo-os regularmente sempre que o céu permita e apenas em fotografia lunar.

O catadióptrico Maksutov-Cassegrain SkyWatcher de ∅127/1500mm com montagem equatorial SkyWatcher, tripé de aço e acessórios:

O refractor Bresser ∅102/1000mm:

O reflector newtoniano Bresser ∅150/750mm:

754: O mundo de olhos no céu: imagens do eclipse da Super Lua Vermelha

Fenómeno acabou já de manhã, às 7.48, quando a Lua deixou por completo a sombra da Terra.

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Foi uma noite – ou já dia, noutras partes do globo – que fez as delícias dos astrónomos, profissionais ou amadores. É que houve uma rara conjugação de três fenómenos lunares que criaram as condições perfeitas para fotografias extraordinárias: à entrada do satélite natural da Terra na fase de Lua Cheia, juntou-se a sua passagem pela zona mais escura da sombra terrestre e a chegada da Lua ao perigeu, o ponto mais próximo que atinge no seu percurso à volta da Terra. Tivemos pois uma Super Lua (14% maior e 30% mais brilhante) Vermelha, com um eclipse.

A Lua começou a entrar na penumbra da Terra às 2.35 desta madrugada (hora de Lisboa), mas só entre as 4.41 e as 5.44 ficou completamente na sombra terrestre. O máximo do eclipse deu-se às 5.12 e, passados 4 minutos, pelas 5.16 ocorreu o instante da fase de Lua Cheia.

No total, foram pouco mais de cinco horas de um fenómeno que acabou já de manhã, às 7.48, quando a Lua ficou completamente fora da sombra da Terra. Para quem não conseguiu seguir o fenómeno, ficam os registos de vários pontos do mundo, em especial na Europa e Américas.

Diário de Notícias
21 Janeiro 2019 – 09:22

– Desconheço o motivo, mas é tremendamente LAMENTÁVEL que o Diário de Notícias, NÃO TIVESSE PUBLICADO uma única foto de uma qualquer cidade de Portugal, referente a este fenómeno!!! Dada a inexistência de uma imagem do Eclipse total da Lua de 21 do corrente, como fotógrafo lunar, publico a seguir as minhas imagens deste acontecimento:

Lisboa, Portugal
© F. Gomes – Blogue Eclypse


Lisboa, Portugal
© F Gomes – Blogue Eclypse


Lisboa, Portugal
© F Gomes – Blogue Eclypse


Lisboa, Portugal
© F Gomes – Blogue Eclypse


Lisboa, Portugal
© F Gomes – Blogue Eclypse


Lisboa, Portugal
© F Gomes – Blogue Eclypse


Lisboa, Portugal
© F Gomes – Blogue Eclypse


Lisboa, Portugal
© F Gomes – Blogue Eclypse


Lisboa, Portugal
© F Gomes – Blogue Eclypse

Estas e outras fotografias e vídeos poderão ser vistos no seguinte endereço: https://inforgom.pt/eclypseastronomy/2019/01/21/missao-eclipse-da-lua-21-jan-2018/

… e também se pode arranjar umas fotos “artísticas”, sem montagem, ao natural, embora obtida noutra sessão anterior:

Lisboa, Portugal
© F Gomes – Blogue Eclypse


Lisboa, Portugal
© F Gomes – Blogue Eclypse




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